Onde corpos se encontram, o sexo conecta e o amor floresce.
O BINÔMIO ARTE E SEXO
Como expressão da arte contemporânea, ainda hoje, o binômio arte e sexo continua sendo cercado por tabus. O que “choca” e o que é “pervertido” para alguns, não é para outros; o que é erótico numa época, em outras, não passa de banalidade. Inegavelmente, os conceitos mudam. E, no presente, as novas formas de ser e estar no mundo demandam propostas artísticas que digam sobre seus corpos, seus desejos e prazeres.
Como agentes históricos e sociais, os artistas representam os corpos em função do que veem, do que sentem, do que sabem e do que acreditam. O corpo, historicamente visto como tema, torna-se meio e material para a criação poética. Surgem, então, todas e distintas práxis corporais, impulsos sexuais, transgressões e carnalidades. Expõem-se corpos livres e sexualidades dotadas de dimensões pluriversais.
Em consonância com essa vertente da arte atual, a terceira edição do Festival Vórtice, com curadoria dos artistas Leonardo Maciel e Paulo Cibella, traz a produção de 100 artistas brasileiros que exploram o binômio arte e sexo. Todos criadores que quebram a muralha do silêncio, construída por uma sociedade hipócrita, e empregam uma gramática libidinosa, buscando a fusão do corpo, do discurso sexual e das questões de gênero em suas práticas artísticas.
Ao lado da exibição e circulação, o Festival levanta o debate no meio artístico: quais os limites desta produção? Comumente, a crítica pudica tenta encaixar essas obras entre o erótico e o pornográfico — e aqui, acerca da pornografia há forte resistência à ideia de sua interação com a arte.
O termo pornografia (vindo do grego “pornôs”= prostituta e “graphô”= escrever e gravar) refere-se ao gênero pictórico que se ocupava da representação das prostitutas. A intolerância às obras pornográficas foi mais enfática a partir do Renascimento, no século XVII, com a reforma protestante. Já o termo erótico é derivado de Eros (na mitologia greco-romana, o deus do amor). O conceito de “Eros” também tem sido usado na filosofia e na psicologia em um sentido mais amplo, quase como o equivalente à “energia da vida”.
Progressivamente, a pornografia passa a designar qualquer representação de “coisa obscena”, vulgar ou abjeta. Simultaneamente, erotismo e erótico surgem como referência às representações do corpo em sentido elevado (ou intelectual). Mas, por que restringir manifestações artísticas a serem eróticas ou pornográficas? Quais valores estão em jogo nesta distinção? Se a arte contemporânea é contra as obviedades e escapa das classificações, ela pode ser pornográfica e erótica (ou nada disso). Na verdade, ela deve dizer sobre o que é humano.
O processo de discussão profunda sobre o binômio arte e sexo, sobre a pornografia e, por conseguinte, sobre o erótico e o erotismo, indica uma importante mudança na sociedade, obrigada a rever uma história de censuras e de silenciamentos. As obras aqui expostas podem ser consideradas poéticas do corpo e licenças sexuais que juntas orquestram uma crítica vigorosa sobre o status quo. No fundo, a arte revela o sexo tal como ele é — algo vital. E, por isso, perigoso.
ALECSANDRA MATIAS
Doutora em Artes Visuais (ECA-USP). Pós-doutorado em Artes Visuais (UNESP). Curadora independente. Professora do CELACC (ECA-USP). Pesquisadora do Centro Mario Schenberg de Documentação e Pesquisa em Artes (ECA-USP). Especialista em Cooperação e Extensão Universitária no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). Membro da Associação Internacional de Crítica de Arte (AICA). Articulista do Jornal da USP, editora da Revista Arte & Crítica e colaboradora da DasArtes. Autora dos livros Schenberg: Crítica e Criação (EDUSP, 2011) e Memória da Resistência (MCSP, 2022).
Veja São Paulo, 2024, ano 42, nº. 22, p. 22-23
ARTISTAS
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ARTISTAS ✶
ABNER SIGEMI
ADRIANA BRAGOTTO
ALBERTO BONI
ALEX FLEMMING
ALEXIS LOPES
ALLIS BEZERRA
ANDERSON MORAIS
ANDRÉ BRUNHARO
ANDRÉ MOREIRA
BÁRBARA PELLEGRINI
BELLA TOZINI
BRÓLIN HORA
BRUNO CORDEIRO
BRUNO ROMI
CACO NEVES
CAIO BORGES
CAIO CAIN
CAMILA ALBUQUERQUE
CARNEVIVA
CAUÊ XOPÔ
CELIA REGINA
CELSO FILHO
CESAR BENATTI
CHARLLES CUNHA
CYNTHIA LOEB
DANIEL JAEN
DANIEL TAMAYO
DARCY PENTEADO
DODS MARTINELLI
DREI
EDMAR OSTI
EDU DEVENS
ÉLCIO MIAZAKI
ELMO MARTINS
ÉRIKA MIGLIOLI
FALO ZINE
FELIPE BASA
FLOPES
GABRIEL KATSUHIRO
GABRIEL PESSOTO
GABRIEL VICTAL
GIBA GOMES
GLAU GLAU
G U A R O D E S
GUILHERME BROLLO
HELDER AMORIM
HENRIQUE REIS
HERNANI GUIMARÃES
HUDINILSON JR.
JOÃO BOTAS
JOÃO GUILHERME PARISI
JOÃO PAULO
JU BENTES
LEANDERSSON
LEANDRO TUPAN
LEONARDO MACIEL
LETÍCIA CHAMONE
LUCAS ELIAS
LUCAS FLYGARE
LUCIANO TREVIZAN
LUFE STEFFEN
LUIS GUSTAVO GUIMARÃES
LUIS TEIXEIRA MENDES
LUIZ SISINNO
LUMAC
LUZE PRINTS & ØRIUNDO
MAISUMAMARIANA
MANUELA ULLUP
MARCELO REIDER
MARCOS AKASAKI
MARCOS ROSSETTON
MARLON THOR
NOAH RUIZ
NUTOPIA
OLIRA
OMAR KHOURI
PAULO CIBELLA
PAULO JORGE GONÇALVES
PAULO MATTOS
PETER DE BRITO
PHILIPP ANCHIETA
RAFAEL BUDNI
RAFAEL CHAGAS
RAFAEL DAMBROS
REDFORT
REVISTA MOSCA
RICHARD CALHABEU
ROD RAS
RODRIGO JESUS
RODRIGO KUPFER
RODRIGO PINHEIRO
SANDRA BECKER
O SANTO INIMIGO DO MAL
SÉRGIO ADRIANO H
SIMONE FONTANA REIS
SUYAN DE MATTOS
TARCÍSIO BENEVIDES
TOLENTINO FERRAZ
TUCA SODRÉ
WILLY CALDAS






























































































































































































































PROGRAMAÇÃO PARALELA













































Curadoria
Leonardo Maciel
Paulo Cibella
Texto
Alecsandra Matias
Produção
Leonardo Maciel
Paulo Cibella
Assistência de Produção
Allis Bezerra
Carneviva
Cassio Villa
Charlles Cunha
Indiara Nicoletti
João Vidotti
Lui Trindade
Willian Martin
Projeto Gráfico
Glau Glau
Leonardo Maciel
Sidney Secolo
Assessoria de Imprensa
Marrese Assessoria
Consultoria Jurídica
Lucas Calvelhe
Transporte
SP Motorista
Fotografia
Allis Bezerra
Jennifer Glass
Leonardo Maciel
Nicolas Akira
Paulo Cibella
Philipp Anchieta
Tour Virtual
BRASIL 3D
DJs
Alma Negrot
Camaleón
Leandersson
Hubert Beto
Paulo Cibella
Prixie Cesario
Agradecimentos
Acervo Bajubá
André Fischer
Cynthia Loeb
Mário Loureiro
Apoio
RG Bar & Club
Apoio Institucional
Edifício Vera
Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo